sábado, 26 de março de 2011

Pintura...

O choro fez manchar uma maquiagem delicadamente desenhada para uma ocasião especial: sentar-se na cama, num sábado, sem que ninguém pudesse a ver. As mãos que foram ao rosto limpar as lágrimas, agora vermelhas de blush, borram o azuleijo branco da parede do banheiro, suja o armário de espelho. Se a lágrima escorre, é pra deixar ir...

terça-feira, 22 de março de 2011

Falta equilíbrio.

       Sombras por todos os lados. Das que sugam o que há de terno e bom, e escurece os corações. Falta equilíbrio, falta estímulo, falta amor. A música do vizinho já não invade a minha casa, não se mistura com o som da roupa batendo na máquina de lavar. E da janela emperrada do quarto não se vê a cor do morro, nem o limo verde da escada de pedras na varanda.
       Quando mais será cobrado de uma alma que padece?
       O tempo é quente e o céu é cinza. Escrevendo páginas de um diário que ninguém lê.